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Tudo o que você precisa saber sobre as TVs 3D

Respondemos todas as suas dúvidas sobre a tecnologia que promete ser o próximo grande lance no mundo do entretenimento doméstico.
 
Dos filmes de ficção-científica aos esportes, de documentários a filmes infantis, 3D será o próximo grande lance do mundo do entretenimento doméstico. Uma HDTV pode deixar sua imagem sensacional, mas apenas o 3D promete explosões que te fazem se encolher e paisagens que parecem estar saindo da sua TV.

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Se você é um aficionado por home-theater e o primeiro a adotar novas tecnologias, provavelmente se lembra da dor de não ter nada para assistir em sua maravilhosa HDTV – e você pode ter passado pela horrível sensação de descobrir que seu caro player de HD-DVD estava tornando-se obsoleto. Não cometa esses erros com uma TV 3D: leia a matéria a seguir e você terá toda a informação necessária antes de comprar sua diversão em terceira dimensão (ou decidir esperar mais um pouco por isso).
 
Como funciona uma TV 3D?
 
Todas as telas 3D funcionam ao mostrar para cada olho uma imagem levemente diferente, o que cria a ilusão de que você está vendo algo de mais de um ângulo. Por exemplo, os clássicos óculos anáglifos azuis e vermelhos atingem esse efeito usando lentes coloridas para filtrar a luz vermelha para um olho e a luz azul para o outro.
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O ponto negativo desse método, obviamente, é que ele praticamente elimina a cor da imagem. Em vez de usar um filtro de luz, as TVs 3D atuais funcionam ao combinar um par de óculos especiais (chamados de óculos “active shutter") com uma televisão que possui um emissor infravermelho. Quando a TV exibe um vídeo 3D, ela alterna a exibição entre uma imagem para o olho esquerdo e a outra para o direito; seu emissor infravermelho instrui quando seus óculos devem escurecer a lente esquerda e quando escurecer a lente direita, em sincronia com a TV, para criar a ilusão de 3D.
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Esse método é significativamente diferente do que é utilizado nos cinemas. A maioria dos filmes 3D usam óculos que são polarizados (parecidos com óculos de sol) de maneira diferente nas lentes esquerda e direita; um filtro especial ajustado ao projetor do filme permite que ele mude rapidamente entre imagens para o seu olho esquerdo e direito. A princípio é um sistema similar ao 3D anáglifo, com a exceção de que ele mantém as cores intactas, apesar da polarização escurecer um pouco a imagem.
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De qualquer maneira, se você se esqueceu de devolver os óculos após assistir a “Avatar” no cinema não poderá usá-los com uma TV 3D, já que ela utiliza uma tecnologia de exibição completamente diferente.
 
De que tipo de equipamento eu preciso para assistir a conteúdo 3D em casa?
 
Você vai precisar de uma HDTV capacitada para 3D, um par de óculos 3D, e (se você quer assistir a filmes Blu-ray em 3D) de um tocador especial de Blu-ray; infelizmente seu Blu-ray player existente não vai prestar para isso. Para os donos de PlayStation 3, a Sony lançou em junho um upgrade de firmware para suportar games 3D, e a companhia está prometendo fornecer um upgrade similar com suporte a Blu-ray 3D no próximo mês de setembro.
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Por enquanto, não parece que você vai precisar de novos cabos HDMI ou qualquer coisa desse tipo.
 
Como posso saber se a minha TV pode exibir imagens 3D?
 
Até o momento, apenas um punhado de TVs dos grandes fabricantes pode exibir imagens 3D: a Samsung possui algumas TVs, como LCDs mais completas com iluminação LED (séries 7000/8000/9000), plasmas (7000/8000), e TVs de LCD (750) que conseguem lidar com 3D; outros sets que se qualificam para isso incluem a Sony Bravia série XBR-LX900, as TVs LX6500 e LX9500 da LG, e a linha Viera VT25 da Panasonic.
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Em outras palavras, é muito improvável que você tenha comprado uma HDTV capacitada para 3D sem perceber que o fez. Se você ainda está na dúvida se a sua TV pode exibir imagens 3D, visite o site do fabricante do aparelho para verificar isso.
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Por enquanto LG, Panasonic, Samsung e Sony são as únicas fabricantes de renome de TV que já entraram na arena 3D, apesar de que modelos da Philips e Toshiba devem chegar ao mercado no próximo ano ou por aí.
 
Minha HDTV diz que é “3D-Ready”. O que isso quer dizer?
 
Alguns fabricantes venderam TVs etiquetadas como “3D-ready” (algo como “Pronta para 3D”). Muitos modelos da linha DLP HDTV da Mitsubishi carregam essa designação, por exemplo, assim como um punhado das TVs Sony Brava.
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Apesar da definição “3D-Ready” variar entre os fabricantes, o termo normalmente significa que o aparelho pode exibir conteúdo 3D, mas não possui o emissor infravermelho necessário para sincronizar a imagem da TV com os óculos – então você vai precisar comprá-lo separadamente. Além disso, como as técnicas 3D encontradas em TVs DLP sacrificam os detalhes pela imagem 3D, se a sua fonte de mídia está em 1080p (“Full HD”) a TV irá mostrar as imagens em 3D com metade dessa resolução.
 
Quanto custa uma TV 3D?
 
O custo total de uma TV 3D depende de fatores como o tamanho da tela e outros recursos. De maneira geral, no entanto, o custo mínimo é de cerca de 5,5 mil reais pelo televisor, mais cerca de 1 mil reais pelo tocador Blu-ray 3D. Sem falar nos óculos extras: a maioria das TVs vem com um ou dois pares, e você precisará de pares extras para os outros membros da família. Um kit com 2 óculos extras para TVs Samsung mais um filme em Blu-ray 3D, por exemplo, custa em média 400 Reais.
 
Que tipo de conteúdo eu posso assistir em 3D?
 
Após gastar um monte de dinheiro em um sistema 3D, você provavelmente irá descobrir não há quase nada em 3D para assistir. Até o momento existem poucos títulos em Blu-ray 3D: lojas como a Livraria Cultura e a FNAC listam poucas opções, como shows musicais de bandas como Jonas Brothers e Hannah Montana, além de filmes como o terror “Dia dos Namorados Macabro”, entre outros, que custam mais caro do que um disco de Blu-ray normal.
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Nos Estados Unidos, alguns canais exibem conteúdo em 3D, mas apenas para eventos específicos (por enquanto). Até o final do ano é possível que alguns canais comecem a exibir programação 3D durante o dia todo. No Brasil não possuímos canais que exibem eventos em 3D, salvo situações específicas. Mas a situação pode mudar, uma vez que a operadora NET tem planos de até o final deste ano iniciar a exibição de eventos em 3D com maior regularidade.
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Games em 3D também são uma opção. Além do PS3, mencionado anteriormente, jogos de PC suportam 3D há cerca de um ano e meio por meio de kits como o nVidia GeForce 3D Vision, que você pode usar junto com um monitor 3D para vários jogos 3D. Para saber se os seus jogos favoritos vão funcionar em 3D, veja a lista de games recomendados para 3D pela nVidia. (Os jogos em 3D ainda não chegaram ao Mac.)
 
Qualquer pessoa pode ver imagens 3D?
 
Infelizmente, nem todas as pessoas podem enxergar 3D; entre 4% e 10% da população simplesmente não consegue enxergar imagens 3D, apesar de que aparentemente o tipo de visão estereoscópica exigido pode ser “aprendido”. Os avisos colados nas TVs e cinemas 3D são muito interessantes: segundo eles TV e filmes em 3D não são indicados para crianças, bêbados, idosos e grávidas, e assistir a conteúdo 3D pode realmente causar desorientação. Por isso, você talvez queira esperar mais um pouco até que seus efeitos exatos sejam descobertos.
 
Eu posso assistir a conteúdo 2D em uma TV 3D?
 
Sim, você pode assistir a programas normais 2D em uma televisão 3D.
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Alguns aplicativos e aparelhos 3D oferecem a opção para converter uma fonte 2D para 3D. A mais recente versão do Cyberlink Power DVD pode realizar a conversão para 3D com resultados passáveis. Os modos de conversão provavelmente não vão fazer você rever toda sua coleção de discos Blu-ray, mas é um início promissor.
 
Eu preciso usar aqueles óculos estranhos?
 
Sim – por enquanto, pelo menos. Algumas companhias estão trabalhando em TVs 3D que não precisam de óculos, as chamadas “telas auto estereoscópicas”. Muitas delas usam um sistema de películas lenticulares que exibe uma imagem diferente dependendo de onde você esteja sentado em relação à tela (se você já viu uma capa de DVD que mudava à medida que você a movia, é a mesma ideia). Mas por enquanto esta é uma opção muito cara: uma empresa chinesa chamada TCL vende uma tela de 42 polegadas por 20 mil dólares. A Samsung também está trabalhando em um sistema lenticular, mas para uso comercial.
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Um misterioso anúncio na loja virtual Amazon.com de uma tela 3D sem necessidade de óculos (por 6.000 dólares, com disco rígido embutido de 500GB e tocador de Blu-ray) fez barulho alguns meses atrás, mas até que surjam imagens e um site oficial da chamada StreamTV, não se anime muito.
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Além disso, deve ser lançado no início do ano que vem o console portátil Nintendo 3DS, que promete permitir que os usuários joguem seus games favoritos em 3D sem precisar usar óculos especiais. As primeiras impressões sobre a tecnologia, desenvolvida em parceria com a Sharp, são muito positivas.
 
Meus óculos 3D vão se encaixar sobre meus óculos corretivos?
 
Sim. Todos os óculos 3D são desenvolvidos para se encaixarem confortavelmente sobre óculos corretivos, apesar de que é indicado você realizar um teste antes de comprá-los. Infelizmente, ainda não há nada no mercado que evite o inconveniente de se precisar usar óculos sobre os seus óculos. A não ser, claro, substituir as lentes corretivas por lentes de contato.
 
Meus óculos vão funcionar em todas as TVs 3D?
 
Não exatamente. Na correria para entrar no mercado com telas 3D, os fabricantes nunca pararam para definir um design padrão para os óculos especiais, o que significa que seus óculos da Panasonic não funcionarão na TV Sony do seu amigo, por exemplo. Algumas soluções podem estar a caminho, no entanto. A XpanD oferece óculos 3D universais que podem determinar o tipo de TV que você está usando baseado em seu sinal infravermelho e se adaptando de acordo com isso. Nós não pudemos testá-los, mas a companhia afirma que eles funcionam com a maioria das TVs 3D no mercado atual.
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Enquanto isso, você pode usar seus óculos Samsung para assistir a TVs 3D da Panasonic (e vice-versa) – mas apenas se usá-los de ponta-cabeça, segundo reportagem do site Tech Radar.
 
Fonte : PC World
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TV 3D: Chegou mesmo a hora?
Os fabricantes querem que você compre caras TVs 3D, mas a tecnologia pode não estar tão pronta quanto eles dizem.
 
Por Serdar Yegulalp
Computerworld / EUA
 
Depois de décadas confinada aos filmes B na sessão da meia-noite o 3D finalmente chegou às massas, com uma enxurrada de filmes no novo formato sendo produzidos por Hollywood. E a tecnologia não está restrita às salas de cinema: em breve ela estará disponível em uma sala de estar ou monitor de computador perto de você.
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Isto é, se você conseguir pagar. Vídeo em 3D requer equipamento que a maioria das pessoas ainda não tem, como TVs capazes de exibir imagens em 3D e os óculos que as acompanham. Uma TV 3D básica custa cerca de R$ 7.000, sem falar no preço dos óculos necessários para ver as imagens: a maioria das TVs vem com um par de óculos, mas se sua família tem quatro pessoas você terá de comprar pares extras.
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Adicionar 3D a um PC também é caro. Por exemplo, um kit com óculos NVIDIA 3D Vision sai por R$ 750, mas isso é só parte do custo. Você também vai precisar de um monitor capaz de lidar com as imagens em 3D, que sai por cerca de R$ 650, sem falar em uma nova placa de vídeo compatível com a tecnologia: um modelo básico como a GeForce GTS240 sai por R$ 430. Além disso, seu PC precisa estar rodando um sistema operacional como o Windows 7 ou Windows Vista.
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Portanto, embora o 3D em casa tenha se tornado viável, a tecnologia precisa se tornar muito mais do que uma “moda” para justificar o alto custo.
 
A história do 3D
 
Imagens 3D, ou “estereoscopia”, existem de uma forma ou outra há muito tempo. A idéia básica permanece simples: usam-se duas câmeras para fotografar a mesma cena de ângulos ligeiramente diferentes, como uma forma de reproduzir o jeito como os olhos humanos vêem o mundo. O View-Master, um brinquedo da norte-americana Fischer Price que alguns de nós tivemos quando crianças ou que demos a nossos filhos é um bom exemplo de um estereoscópio básico.
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Outro exemplo é o 3D anáglifo, que usa os já clássicos óculos com lentes azuis e vermelhas. O processo, patenteado em 1891 pelo cientista francês Louis Ducos Du Hauron (e refinado a partir de uma técnica usada desde 1840) inicialmente permitia apenas a reprodução de imagens monocromáticas, mas inovações recentes, como o sistema ColorCode 3D apresentado na última década, são capazes de reproduzir uma gama bastante ampla de cores.
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Como o 3D anáglifo funciona em praticamente qualquer formato (TV, filmes ou mídia impressa) e é relativamente barato de implementar, ele ainda é amplamente usado para conseguir efeitos 3D de forma rápida e barata. Até mesmo as placas de vídeo compatíveis com 3D da NVidia suportam o 3D anáglifo como um “mínimo denominador comum” para mostrar 3D em qualquer tela.
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Entretanto, há dois grandes problemas com o 3D anáglifo. Um é uma falta generalizada de nitidez na imagem, já que os detalhes se perdem na lente vermelha. O segundo é que parte da cor é perdida, mesmo se você usar um sistema que restaure as cores.
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Quando o 3D chegou aos cinemas em 1950 - sua estréia foi no filme Bwana Devil, de Arch Oboler - usavam-se lentes polarizadas, um dos sistemas mais comuns para o cinema mesmo nos dias de hoje. As imagens para cada olho eram projetadas através de um filtro polarizador, e o espectador usava óculos polarizados que reconstruiam a imagem. Este sistema preserva as cores e não causa tanta perda de detalhes quanto o 3D anáglifo.
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Mas o sistema exigia um tipo de tela que preservasse a polarização da luz, fenômeno onde as ondas luminosas são filtradas de forma que só aquelas que “vibram” em uma certa direção conseguem passar pelo filtro. Esta limitação tornou o sistema mais adequado para projeção no cinema do que na TV. Além disso, muitos objetos na tela ainda tinham “halos” estranhos ou cantos borrados, o que tornava desconfortável assistir as cenas por longos períodos de tempo
 
Surge uma nova tecnologia
 
Foi necessária a invenção dos displays de cristal líquido (LCD), entre outras coisas, para chegarmos à tecnologia 3D “Active Shutter”, que é o atual “estado da arte” e base para a maioria das telas 3D no mercado atualmente.
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Os espectadores usam óculos cujas lentes são na verdade painéis de cristal líquido que alternam entre bloquear ou deixar passar a luz para os olhos esquerdo e direito 120 vezes por segundo (120 Hz). Eles então olham para uma tela que é sincronizada com os óculos para exibir a imagem apropriada para cada olho. As imagens não tem cantos borrados ou “fantasmas” como nos outros sistemas, e tanto imagens em preto-e-branco quando a cores podem ser usadas.
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Mas há pontos negativos. Um deles é que, entre os óculos escurecidos e a troca da imagem 120 vezes por segundo, o brilho da imagem é na prática reduzido pela metade. Isto não é tão ruim se você está em uma sala escura (cinema ou home theater), mas pode ser problemático em outros ambientes. Segundo, você tem que usar óculos, e isso pode ser uma distração. Ainda mais para quem já usa óculos por causa de problemas de visão, ou acha os óculos 3D um incômodo.
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Por fim, ainda não há um padrão para óculos 3D. Por exemplo, se você der uma festa para seus filhos e quiser mostrar aos convidados um cartoon em 3D em uma TV Sony, eles não conseguirão assistir usando os óculos de uma TV Samsung.
 
A escassez de conteúdo
 
Entretanto, o que importa mais que a tecnologia é o conteúdo. É ele quem manda, especialmente quando o assunto é 3D, e no momento não há muito conteúdo 3D no mercado, sejam transmissões ao vivo ou material gravado.
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Muitas das barreiras para a geração de conteúdo 3D são técnicas e econômicas. Assim como os primeiros anos da cor criaram desafios técnicos para as equipes de cinema e TV, filmar em 3D requer câmeras especiais e capacidade técnica para usá-las. Não é algo insuperável - as pessoas podem ser treinadas no uso do novo equipamento em pouco tempo - mas só faz sentido se houver demanda por conteúdo 3D para justificar o esforço.
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Claro, existe a possibilidade de converter material que já existe em 2D para 3D. Por exemplo, embora o recente remake de “Fúria de Titãs” não tenha sido gravado em 3D, foi lançado nos cinemas neste formato graças a um processo de conversão.
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Também é possível que o próprio aparelho do espectador realize a conversão de 2D para 3D em tempo real. A versão atual do Cyberlink PowerDVD tem um recurso chamado TrueTheater 3D que permite a conversão de DVDs tradicionais em 2D para 3D. Aparelhos de TV da linha Cell TV da Toshiba, que devem ser lançados até o final do ano, também prometem fazer a conversão, e alguns modelos de TVs da Samsung já disponíveis no mercado nacional também trazem este recurso.
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O problema com este processo é que ele exige a adição de informações (profundidade) que nunca estiveram presentes na imagem, e que nem sempre podem ser deduzidas a partir da simples análise de uma imagem (ou sequência de imagens como um vídeo) em 2D. Este foi um dos problemas enfrentados pelos estúdios de cinema quando fizeram a conversão de filmes recentes como Fúria de Titãs e Alice no País das Maravilhas de 2D para 3D. Segundo os próprios especialistas, é necessário uma dose de trabalho manual para que a técnica realmente funcione, o que significa que os resultados de uma conversão automática de 2D para 3D feita por software ou hardware serão limitados na melhor das hipóteses.
 
3D: quem precisa dele?
 
Isto nos leva a outro problema com o entretenimento em 3D, um que não gera tanta discussão na comunidade técnica: os problemas artísticos e estéticos introduzidos pelo 3D.
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O tamanho e detalhes da maioria das cenas em um filme, especialmente em uma tela grande, criam um efeito 3D próprio. Adicione 3D de verdade a isto e o diretor tem de tomar uma série de decisões extras: quão frequentemente posso cortar sem desorientar a platéia? O que manter em foco, um objeto ou toda a cena? Faço esta parte “saltar” da tela ou “afundar” dentro dela, como o diretor Werner Herzog quer fazer com seu futuro documentário em 3D sobre as pinturas na caverna de Chauvet?
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Questões como estas, mais os problemas técnicos gerados pelo 3D, fizeram o crítico de cinema Roger Ebert escrever um artigo para a revista Newsweek onde condena o 3D no cinema como um “truque inútil”. Seria uma forma de não só fazer os espectadores pagarem mais pelo ingresso, declarou, como de forçar os donos de cinemas a atualizar seu equipamento de projeção. O crítico do New York Times A. O. Scott disse que o 3D é mais adequado a animação do que filmes convencionais, que os “efeitos quase holográficos onde as coisas saltam da tela” parecem mais adequados a filmes “etéreos” como Alice no País das Maravilhas e Fúria de Titãs.
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Em outras palavras, um bom filme em 2D não precisa de 3D para ficar melhor, assim como um bom filme em preto e branco não tem seu valor reduzido apenas por não ter cor.
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Outro problema em potencial para o 3D é médico, e não estético. A CNN.com citou um professor de oftalmologia que alegou que 20% dos espectadores que assistem conteúdo em 3D por períodos prolongados de tempo sentem tonturas e náusea.
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É possível por a culpa de parte disso no que acontece quando você pega conteúdo com cenas muito movimentadas, mais adequado a 2D, e o exibe em 3D. Os espectadores não conseguem focar o que está acontecendo rápido o suficiente e ficam enjoados. 3D também parece ser um incômodo para pessoas que tem problemas de visão como estrabismo ou epilepsia fotosensível. O efeito “estroboscópico” criado pelas lentes pode não ser perceptível para a maioria das pessoas, mas os que são sensíveis a ele podem ter de dores de cabeça a desmaios. A Samsung, que fabrica TVs 3D, já emitiu avisos sobre o problema.
 
Jogos
 
Filmes e TV em 3D podem não ser uma boa aposta, mas há outra forma de entretenimento que pode não só gerar mais interesse pelo 3D como ser feita “sob medida” para a técnica: video games.
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Há várias razões pelas quais jogos e 3D combinam. Gamers são geralmente mais receptivos a novas tecnologias (e geralmente tem dinheiro para adquiri-las), a geração atual de consoles e placas de vídeo já suporta jogos e telas em 3D com uma simples atualização dos drivers ou firmware, e os jogos são o tipo de experiência onde o 3D pode ser realmente útil.
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Tentativas anteriores de games em 3D, como o Virtual Boy lançado pela Nintendo em 1995, eram complexas pois dependiam de tecnologia que ainda não estava completamente desenvolvida e não funcionava em nenhum outro lugar. Mas os novos sistemas usam a mesma tecnologia 3D que já é encontrada nas TVs mais recentes, assim como aconteceu com a alta-definição.
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Assim como os filmes, nem todo jogo se beneficia do efeito 3D, mas há os que se beneficiam imensamente. No ano passado, durante o evento de lançamento do Windows 7 em Nova Iorque, experimentei a versão PC de Batman: Arkham Asylum usando um sistema de óculos da NVIDIA em uma TV de Plasma de 120 Hz da Samsung. O efeito 3D foi satisfatório, e o alternar da imagem nas lentes dos óculos praticamente imperceptível.
 
3D sem óculos
 
Uma forma do 3D ganhar espaço contra o 2D é com uma tecnologia de telas que não exija o uso de óculos. A ficção científica brinca com este conceito há décadas: uma imagem holográfica projetada no ar, ou exibida dentro de um cubo ou esfera. Tais sistemas ainda estão distantes, mas há várias empresas que estão trabalhando em telas 3D que usam tecnologias já existentes de forma criativa.
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A maioria dos leitores já deve ter visto uma forma de 3D chamada 3D lenticular, que usa uma folha de plástico coberta com linhas verticais como uma espécie de lente para criar um efeito 3D em cartões de visita e anúncios. Algumas empresas estão trabalhando em telas que usam uma variação desta tecnologia. Uma empresa chamada CubicVue vende um filtro filtro lenticular que é projetado para ser instalado sobre uma tela convencional. A empresa também diz que sua tecnologia pode ser embutida diretamente na tela, o que deve produzir melhores resultados.
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Os fabricantes de telas não são os únicos interessados em 3D sem óculos. O recém anunciado Nintendo 3DS é um console que não só tem uma tela 3D como tem um sistema com duas câmeras capazes de tirar fotos 3D, que podem ser exibidas na tela principal do aparelho.
 
Conclusões
 
Sempre haverão pessoas que tem o desejo que ter o que há de mais moderno em tecnologia, e estas pessoas provavelmente já compraram uma TV 3D. Para o resto de nós, faz mais sentido esperar até que alguns dos problemas com a tecnologia 3D para uso doméstico tenham sido resolvidos.
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A verdade é que o 3D não irá substituir o 2D - porque há muitas razões para manter o 2D. Ele é prático, eficiente e acima de tudo barato. Quase toda a tecnologia 3D existente hoje tem um custo extra. E mesmo quando o custo for reduzido, ainda assim será mais difícil criar conteúdo 3D que 2D - especialmente conteúdo originalmente em 3D e não algo meramente “sintetizado” a partir de 2D.
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O que o 3D fez e vai continuar fazendo é criar um mercado pequeno e significante para conteúdo especializado. Ele não vai substituir o 2D, mas irá complementá-lo - da mesma forma como os netbooks e o iPad acompanham os desktops e notebooks convencionais. E a busca por uma tecnologia 3D que não requer nada mais que um par de olhos saudáveis é uma aventura por si só, que mal começou.
 
Fonte : PC World
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